
O mercado de trabalho formal brasileiro criou 165.827 postos de trabalho em agosto deste ano. O resultado corresponde à diferença entre 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos. Com o saldo positivo, o estoque de empregos formais chegou a 48.244.696 vínculos, de acordo com dados do Novo Caged divulgados nesta terça-feira, 29/09, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília (DF).
O resultado mensal surpreendeu diante das projeções mais pessimistas para o mês, segundo Francisco Macena, ministro do Trabalho e Emprego em exercício. Durante a apresentação dos dados, ele destacou que a geração de empregos continua avançando, embora em ritmo mais moderado.
Em agosto, os cinco grandes setores registraram saldo positivo, com liderança do setor de Serviços, com 110.346 vagas, seguido por Construção (20.848), Indústria (16.613), Comércio (16.565) e Agropecuária (1.452).
Macena destacou a recuperação do Comércio, que havia apresentado resultado negativo no mês anterior, além da continuidade do crescimento da Indústria e da Construção. Na avaliação do ministro em exercício, os dados mostram a resiliência do mercado de trabalho diante do cenário de juros elevados e outras dificuldades econômicas.
O desempenho de agosto também foi marcado pela forte geração de vagas entre os jovens. Trabalhadores de até 24 anos responderam por 128.997 postos, contra 36.830 entre aqueles com 25 anos ou mais.
De acordo com as informações do Caged, o salário médio real de admissão ficou em R$ 2.410,74, praticamente estável em relação a julho, mas 1,02% acima de agosto de 2025.
Vagas no ano
No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o país agregou 1.134.033 novos empregos formais, alta de 2,41%. O setor de Serviços respondeu por 697.859 vagas, Construção por 200.431 e Indústria por 170.442. Na distribuição por estado, São Paulo liderou o acumulado de 2026, com 306.883 postos, seguido por Minas Gerais (123.176) e Rio de Janeiro (77.670).
Perfil das novas vagas
As mulheres tiveram saldo ligeiramente superior ao dos homens em agosto, com 83.989 novos empregos formais, ante 81.838 entre pessoas do sexo masculino.
Por raça/cor, os pardos concentraram o maior saldo, com 117.830 vagas, seguidos por brancos (38.401), pretos (19.062) e indígenas (242). Houve saldo negativo entre amarelos (-121) e entre os vínculos sem informação de raça/cor (-9.587).
Segundo Francisco Macena, o Ministério do Trabalho vem cobrando das empresas maior atenção ao preenchimento das informações de raça/cor, diante da existência de registros sem essa identificação.
Bets
Questionado sobre o impacto da política de fim das bets, Macena afirmou que a medida pode reforçar o consumo. De acordo com ele, R$ 62,5 bilhões devem chegar à economia, parte para o pagamento de dívidas e parte para despesas das famílias. “Não tenho nenhuma dúvida de que esse recurso será drenado para a economia, para o consumo e, quando tem consumo, quando o mercado continua crescendo, você tem uma geração de emprego que segue”, afirmou.
Sem projeção
Macena evitou estimar o saldo de empregos até o fim do ano. Para ele, o resultado de agosto mostrou a dificuldade de fazer projeções mês a mês. A expectativa é de continuidade do movimento positivo em setembro, outubro e novembro. Em dezembro, porém, o saldo costuma ser afetado pela dispensa de trabalhadores temporários contratados para o fim do ano.
“Acredito que teremos um saldo líquido a comemorar. Agora, estimar o que será esse saldo é muito difícil”, disse. Para Macena, o mercado de trabalho permanece resiliente e continua contribuindo para sustentar a atividade econômica. “Continua com um crescimento, continua gerando novos postos de trabalho”, finalizou.
IMAGEM: Tirza Bráz / MTE
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